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Notícias/SAÚDE10/09/2026· KF News

Estudo aponta que bactéria do kimchi pode eliminar nanoplásticos pelo intestino em testes com animais

Um estudo conduzido pelo Instituto Mundial do Kimchi, na Coreia do Sul, e publicado na revista Bioresource Technology identificou uma bactéria presente no kimchi que pode se ligar a nanoplásticos no intestino e facilitar a eliminação dessas partículas pelas fezes. A bactéria analisada é a Leuconostoc mesenteroides CBA3656, um microrganismo do ácido lático encontrado no alimento fermentado.

Em testes de laboratório, a bactéria mostrou alta capacidade de se grudar em nanopartículas de poliestireno, um tipo de plástico. Essa capacidade se manteve mesmo em condições que simulavam o intestino humano. Nos experimentos com camundongos, os animais que receberam a bactéria eliminaram mais que o dobro de nanoplásticos nas fezes em comparação com o grupo que não recebeu o probiótico.

O mecanismo por trás disso é chamado de biossorção. Na prática, as partículas de plástico aderem à superfície da bactéria sem serem absorvidas por ela. Segundo a nutricionista Manuela Dolinsky, presidente do Conselho Federal de Nutrição, componentes da parede celular da bactéria, como proteínas, gorduras e polissacarídeos, favorecem essa ligação. Ela explica que os nanoplásticos ficam presos na parte externa da bactéria e não entram nas células.

Apesar dos resultados, especialistas ressaltam que os dados ainda são iniciais. Manuela lembra que o estudo não avaliou o consumo do alimento e não foi feito em humanos, além de ter analisado apenas um tipo de nanoplástico. A imunologista Ana Caetano Faria, professora da Universidade Federal de Minas Gerais, reforça que as condições dos experimentos não refletem a complexidade do intestino humano e que ainda não se sabe se o mesmo efeito ocorreria nas pessoas. Segundo ela, os resultados ainda precisam ser confirmados em ensaios clínicos.

O kimchi é feito com vegetais fermentados como acelga e rabanete, combinados com alho, gengibre e pimenta. O processo de fermentação favorece bactérias do ácido lático, associadas a benefícios para a microbiota intestinal. Um outro estudo recente com dados populacionais da Coreia do Sul aponta que o consumo de alimentos fermentados está associado a menor inflamação sistêmica, embora essa relação não estabeleça causa direta.

Fonte: Metropoles