
Quase um terço dos brasileiros sofre de insônia, segundo dados do Vigitel, e muita gente acumula horas de sono perdidas por causa do trabalho, estudo, filhos ou ansiedade. A ideia de compensar tudo isso dormindo mais no sábado e no domingo parece lógica, mas especialistas explicam que não funciona dessa forma.
Monica Andersen, diretora de ensino e pesquisa do Instituto do Sono, é direta: não dá pra pagar o débito de sono só no fim de semana. Ela reconhece que recuperar um pouco é melhor do que entrar na segunda-feira com ainda mais horas em atraso, mas o problema não some.
O débito de sono é a diferença entre o quanto a pessoa precisa dormir e o quanto realmente dorme. Fernanda Carolina Silva Guimarães Cruz, doutora em ciências pela USP e coordenadora do Núcleo de Fisioterapia da Academia Brasileira do Sono, explica que o sono é essencial pra memória, aprendizagem, energia, regulação hormonal, imunidade e até pra limpar resíduos do cérebro. Algumas dessas funções não se recuperam completamente com apenas duas noites de descanso.
A falta de sono pode prejudicar o raciocínio, o humor, aumentar a sonolência, causar problemas metabólicos, cardiovasculares, ganho de peso, irritabilidade e até erros no trabalho e no trânsito. A recomendação da American Academy of Sleep Medicine é dormir sete horas ou mais por noite, mas Andersen alerta que essa não deve ser uma regra rígida, já que cada pessoa tem uma necessidade diferente.
Para quem dorme pouco durante a semana, a orientação de Cruz é antecipar o horário de dormir e manter o horário de acordar próximo do habitual, evitando grandes mudanças nos fins de semana. Isso porque dormir e acordar muito mais tarde pode causar o chamado jet lag social, desalinhando o relógio biológico. Evitar telas, cafeína, álcool e refeições pesadas antes de dormir também ajuda. A prática regular de exercícios físicos, como aeróbicos e musculação, está associada a melhora na qualidade do sono e redução da insônia.
Fonte: Drauzio Varella




