
Focar apenas no peso na balança pode levar a conclusões erradas sobre a própria saúde. É o que alerta o endocrinologista Felipe Henning Gaia Duarte, especialista em endocrinologia e metabologia com pós-doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Segundo ele, a balança soma tudo de uma vez — gordura, músculo, água, ossos e até conteúdo intestinal — sem separar nada. Por isso, duas pessoas com o mesmo peso podem ter composições corporais e níveis de saúde completamente diferentes.
O médico explica que o peso total é formado por dois grandes grupos: massa gorda, que inclui a gordura subcutânea e a gordura visceral, e massa magra, que engloba músculos, ossos, órgãos e água. A gordura visceral, aquela que fica ao redor dos órgãos internos, é a de maior impacto para o coração e o metabolismo.
Um estudo da Universidade da Flórida, publicado na revista Annals of Family Medicine, acompanhou mais de 4 mil pessoas por 15 anos e constatou que indivíduos com alto percentual de gordura tinham 78% mais risco de morte e três vezes mais chance de morrer por doença cardíaca, mesmo com o IMC dentro da faixa considerada normal.
Para avaliar melhor a saúde, Duarte indica medir a circunferência abdominal — o ideal é menos de 94 cm para homens e 88 cm para mulheres — e usar a relação cintura-estatura, mantendo a cintura abaixo da metade da altura. Exames como bioimpedância e densitometria corporal total avaliam com mais precisão a composição do corpo. Força de preensão, capacidade de levantar de uma cadeira sem apoio e condicionamento cardiorrespiratório também são indicadores importantes de saúde.
Para melhorar a composição corporal, o especialista recomenda: treinar força de duas a três vezes por semana com sobrecarga progressiva; fazer atividade aeróbica e reduzir o tempo sentado ao longo do dia; consumir entre 1,2 g e 1,6 g de proteína por quilo de peso diariamente, distribuídos nas refeições; dormir bem, já que dormir mal aumenta o apetite e prejudica a recuperação muscular; e reduzir o consumo de ultraprocessados e álcool. O médico reforça que é possível melhorar a composição corporal sem que o peso na balança mude nada.
Fonte: Drauzio Varella




