
O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com ritmo lento de negócios na Região Sul. A combinação de demanda fraca por farinha, estoques confortáveis nos moinhos e cautela dos produtores diante das incertezas climáticas para a nova safra mantém compradores e vendedores na defensiva.
De acordo com a TF Agroeconômica, as vendas abaixo do esperado levaram vários moinhos a reduzir o ritmo de moagem para prolongar os estoques e evitar novas compras. O resultado é um mercado com pouca liquidez e negociações apenas para reposições pontuais.
No Rio Grande do Sul, os moinhos estão abastecidos e o interesse por novas compras é baixo. Além disso, a indústria enfrenta problemas de qualidade no trigo remanescente da safra anterior, por causa da alta incidência de DON, uma micotoxina que compromete o aproveitamento industrial do cereal. O trigo importado da Argentina valorizou: o preço FOB com 11% de proteína para embarque em agosto subiu de US$ 230 para US$ 240 por tonelada, com indicação de US$ 286 por tonelada CIF Canoas. Em Panambi, o preço de balcão ao produtor recuou para R$ 69 por saca.
Em Santa Catarina, o trigo produzido no estado praticamente desapareceu nas regiões de Campos Novos e Xanxerê. O último negócio com trigo catarinense foi registrado a R$ 1.350 por tonelada FOB, mais frete. O trigo gaúcho foi ofertado entre R$ 1.340 e R$ 1.400 por tonelada, além de frete e ICMS. Mesmo com reajustes de cerca de 5% nos preços da farinha, a liquidez segue baixa. O farelo de trigo foi negociado em torno de R$ 1,10 por quilo ensacado.
No Paraná, negócios com trigo disponível ocorreram em torno de R$ 1.450 por tonelada CIF moinho na região de Curitiba e nos Campos Gerais, e entre R$ 1.530 e R$ 1.550 por tonelada no Norte do estado. Os produtores permanecem retraídos, preocupados com o impacto do El Niño nas lavouras, e não foram registrados negócios relevantes envolvendo a nova safra.
No mercado internacional, os contratos futuros do trigo caíram mais de 1% na Bolsa de Chicago, com o vencimento de setembro de 2026 encerrando a US$ 6,96¼ por bushel, queda de 9,50 centavos, e o de dezembro de 2026 a US$ 7,13¾, recuo de 9,00 centavos. A pressão veio da realização de lucros após forte valorização no pregão anterior e da melhora das previsões climáticas nos Estados Unidos. Ainda assim, os conflitos no Mar Negro e as restrições no porto russo de Novorossiysk continuam gerando preocupação com o abastecimento global e funcionam como suporte para os preços.
Fonte: Portal Agroneg.




