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Notícias/POLÍTICA17/09/2026· KF News

Eduardo Bolsonaro diz se considerar dissidente político e elogia exigência dos EUA ao Brasil

Foto: Divulgação/Jornal de Brasília

Eduardo Bolsonaro foi até Washington e declarou, nesta quinta-feira (17), ter ficado "feliz" ao saber que o governo Trump incluiu uma referência a "dissidentes políticos" em uma lista de 21 exigências feitas ao Brasil durante as negociações sobre o tarifaço, em outubro de 2025. A lista foi revelada pelo jornal Estado de S. Paulo e previa a participação desses dissidentes no processo eleitoral brasileiro. O documento não identificava quem os Estados Unidos consideravam dissidentes, e o Departamento de Estado não comentou o assunto até a publicação da reportagem.

Ao ser questionado se se via como dissidente, o comentarista Paulo Figueiredo, que estava ao lado de Eduardo, tomou a palavra e respondeu: "Como é que se chama alguém que, ao criticar as autoridades de um país, tem que se exilar em outro? O termo é dissidente. Não tem outro nome." Figueiredo também disse que eles não precisaram pedir para que a exigência fosse incluída, pois "é descrição dos fatos". Ele ainda culpou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, pela existência de brasileiros no exílio, e classificou a situação como uma "pena".

Eduardo foi condenado em junho de 2026, por unanimidade, pela Primeira Turma do STF a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo — por sua atuação nos EUA para intimidar o Judiciário brasileiro e tentar barrar a análise da trama golpista.

Os dois estão em Washington para uma nova rodada de reuniões com integrantes do governo Trump. Disseram que encontrariam autoridades de alto escalão do Departamento de Estado e da Casa Branca, mas não revelaram os nomes dos interlocutores. Entre os temas a discutir estão a retomada das sanções da Lei Global Magnitsky contra Moraes e medidas contra outros ministros do STF, como Gilmar Mendes e Flávio Dino.

Eduardo também afirmou ver nas manifestações de ministros do STF, durante sessão de terça-feira (15), uma tentativa de construir uma narrativa para contestar eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Citou a anulação da eleição presidencial da Romênia como exemplo do que teme ver reproduzido no Brasil. "Eu vejo a preparação de uma narrativa pra tentar anular a eleição brasileira", disse, atribuindo interesse pessoal de Moraes no desfecho, sem apresentar provas.

Fonte: Jornal de Brasília