
O mercado de trigo encerrou julho valorizado no Brasil e na Bolsa de Chicago, sustentado pela oferta restrita no Sul do país e pelo agravamento do conflito entre Rússia e Ucrânia na região do Mar Negro.
No Rio Grande do Sul, os negócios seguem pontuais, com retiradas concentradas em agosto e pagamentos programados para setembro. Os preços médios chegam a R$ 1.300 por tonelada no interior do estado, com o trigo melhorador em torno de R$ 1.350. Para lotes de maior qualidade, as indicações chegaram a R$ 1.460 CIF moinho, enquanto o padrão ficou próximo de R$ 1.380 CIF. O trigo argentino nacionalizado foi negociado a US$ 292 por tonelada em Canoas, avanço de cerca de 6,2%. Moinhos também relatam altos índices de DON nos estoques remanescentes, o que aumenta a busca por trigo de melhor qualidade. Em Panambi, a referência no mercado do produtor recuou para R$ 69 por saca.
Em Santa Catarina, os estoques praticamente zeraram. O último negócio foi registrado a R$ 1.350 FOB mais frete. Compradores passaram a buscar trigo gaúcho entre R$ 1.340 e R$ 1.400 por tonelada, além de frete e ICMS. O mercado de farinhas segue lento, com estoques elevados e ritmo de moagem reduzido, enquanto o farelo apresentou recuperação de preços. No balcão, as cotações variaram entre R$ 64 e R$ 72,20 por saca dependendo da região.
No Paraná, principal produtor nacional, os preços seguem acima do confortável para a indústria. Negócios foram registrados a R$ 1.450 CIF moinho em Curitiba, com o Norte do estado oscilando entre R$ 1.530 e R$ 1.550 por tonelada. O trigo argentino com 11% de proteína foi ofertado a US$ 310 por tonelada em Paranaguá. O plantio da safra paranaense foi concluído em 727,5 mil hectares, área cerca de 11% menor que a de 2025, com produção estimada em 2,38 milhões de toneladas e 97% das lavouras em boas condições. O risco climático do El Niño e a redução da área plantada limitam as expectativas de aumento de oferta.
No cenário internacional, drones ucranianos atingiram o terminal de exportação de grãos de Taman, no porto russo de Krasnodar, pertencente ao grupo Demetra, que tem capacidade para movimentar cerca de 5 milhões de toneladas de grãos por ano. Uma instalação de exportação de óleo de girassol também foi atingida, com danos considerados limitados. O episódio manteve restrições à navegação no Mar de Azov e no Estreito de Kerch, obrigando a Rússia a redirecionar embarques para portos no Mar Negro. Analistas internacionais apontaram o trigo como a commodity mais sensível ao episódio. Em Chicago, o contrato de setembro fechou a US$ 6,63½ por bushel, alta de 0,41%, e o de dezembro a US$ 6,81½, avanço de 0,55%. As exportações americanas de trigo totalizaram 285,2 mil toneladas na semana encerrada em 23 de julho, dentro das expectativas do mercado. O México foi o principal comprador, com 70 mil toneladas adquiridas.
Fonte: Portal Agroneg.




