
O Governo Federal anunciou que pretende comprar 310 mil toneladas de arroz em casca por meio da modalidade de Aquisição do Governo Federal, a AGF. A medida faz parte de um pacote de ações para enfrentar possíveis impactos do fenômeno El Niño e está dentro da Política de Garantia de Preços Mínimos, a PGPM. Os objetivos declarados são recompor os estoques públicos administrados pela Conab, ampliar a capacidade de intervenção do governo no mercado, reduzir riscos de desabastecimento e oferecer mais proteção ao produtor rural diante da volatilidade climática e dos altos custos de produção.
Apesar dos objetivos, o mercado recebeu a notícia com cautela. Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, faltam informações essenciais para que produtores, cooperativas, corretores e indústrias possam tomar decisões. Ainda não foram definidos a variedade de arroz a ser comprada, o padrão de qualidade exigido, o preço de referência, os critérios de participação, o cronograma das operações e a velocidade de liberação dos recursos.
Um dos principais focos de dúvida é o preço base das compras. O anúncio prevê aquisições de até 25% acima do preço mínimo, mas não foi esclarecido se o cálculo usará o preço mínimo atual, de R$ 63,74 por saca de 50 kg, ou o novo preço da safra 2027/28, reajustado para R$ 68,07 por saca na Região Sul. Essa diferença pode impactar bastante as expectativas do mercado.
Oliveira alerta ainda que parte dos produtores pode optar por segurar o produto esperando participar das compras governamentais, o que reduziria a oferta disponível e dificultaria o trabalho da indústria. Programas anteriores com anúncios semelhantes já causaram interrupção temporária nas vendas enquanto os vendedores aguardavam a regulamentação. No campo das exportações, a Safras & Mercado alerta que uma possível retenção de produto pelos produtores pode reduzir os embarques justamente num período estratégico para o escoamento dos excedentes internos. O mercado aguarda os próximos esclarecimentos do governo para definir seus movimentos no segundo semestre.
Fonte: Portal Agroneg.




