
A retirada do sigilo de parte das investigações do caso do Banco Master abriu uma nova briga entre ministros do STF. O ministro André Mendonça começou a tornar públicos 15 inquéritos na quinta-feira (10), atendendo a um pedido do presidente da corte, Edson Fachin, mas manteve outros em segredo, argumentando que era necessário para não atrapalhar as próximas etapas da investigação.
O material divulgado confirmou que Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, é investigado. A Polícia Federal o aponta como interlocutor direto do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na negociação de dinheiro para o filme "Dark Horse", que conta a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo documentos da investigação, Flávio negociou com Vorcaro o financiamento de pelo menos US$ 24 milhões — cerca de R$ 122,7 milhões — para a produção do filme. Desse valor, pelo menos US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 62,9 milhões, foram efetivamente pagos.
Fachin estipulou um prazo de 24 horas para Mendonça liberar todo o material. Na noite de sexta (11), mais 38 procedimentos foram tornados públicos. Entre eles estão processos que envolvem também o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI).
Alexandre de Moraes criticou Mendonça, dizendo que ele escolheu revelar só o que quis, mantendo ao menos 180 documentos em sigilo. A PF apura lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros crimes no caso. Os documentos também revelam que Vorcaro bancou viagens internacionais para dois servidores do Banco Central e que o ex-banqueiro tinha conhecimento antecipado de que seria preso, sendo detido em novembro de 2025 quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.
Fonte: Jornal de Brasília




