
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) entrou com representação na Procuradoria Geral da República pedindo a abertura de investigação sobre possíveis vínculos entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, e empresas ligadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS — apontado como operador financeiro do esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários.
O ponto central da representação é o endereço. A Bravo Grafeno, empresa da qual Flávio é sócio ao lado de Carlos Bolsonaro e outros três nomes, foi criada em junho de 2024 com capital de R$ 100 mil e declarou como sede a sala 2601 do Edifício Connect Towers, em Águas Claras (DF). O mesmo endereço consta no cadastro de ao menos 16 empresas ligadas ao Careca do INSS, sendo que 8 delas foram criadas no mesmo dia: 5 de outubro de 2023. Entre essas empresas está a Prospect Consultoria Empresarial, que, segundo o relatório final da CPMI do INSS, recebeu R$ 204,2 milhões de entidades investigadas pelos descontos indevidos.
Outro elemento citado por Lindbergh é a Voga Serviços Contábeis, responsável pela contabilidade tanto da Bravo Grafeno quanto do escritório de advocacia de Flávio. A Voga pertence a Alexandre Caetano dos Reis, preso desde dezembro de 2025, que foi sócio do Careca em uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. A administradora do escritório de advocacia de Flávio é Letícia Caetano dos Reis, irmã de Alexandre, e chegou ao cargo por indicação do advogado Willer Tomaz de Souza — amigo de Flávio e alvo da operação Sem Desconto. Tomaz também atua na defesa de Alexandre.
Lindbergh pede à PGR que solicite ao STF a abertura de inquérito, com quebra de sigilo bancário e fiscal da Bravo Grafeno e da Voga, perícia contábil, relatórios do Coaf e busca e apreensão nas salas 2601 e 2603 do Connect Towers. A representação cita como possíveis infrações lavagem de dinheiro, integração a organização criminosa e falsidade em declarações cadastrais, além de investigar eventual uso da empresa em arrecadação irregular para a campanha de 2026. A assessoria de Flávio Bolsonaro não respondeu até o fechamento da reportagem.
Fonte: Poder360




