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Notícias/AGRONEGÓCIO25/08/2026· KF News

Safra de mandioca 2026/27 enfrenta crédito restrito, doenças, clima adverso e demanda aquecida por derivados

O mercado brasileiro de mandioca entra na safra 2026/27 com uma série de desafios que podem reduzir a oferta da raiz ao mesmo tempo em que a demanda por seus derivados cresce. A perspectiva é de menor área plantada e possível queda no rendimento das lavouras, num cenário de crédito restrito, custos elevados e riscos climáticos e fitossanitários.

Segundo o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Fábio Isaias Felipe, a oferta e a demanda exercem influência direta nos preços da mandioca. O problema, segundo ele, é que a cadeia tem poucos instrumentos de proteção financeira, como contratos e operações de hedge, especialmente para o produtor rural.

O crédito para a cultura despencou 64% em 2026, de acordo com dados do Banco Central. A retração chega a 80% dos estados e compromete investimentos em manejo, fertilidade do solo, mecanização e aquisição de material propagativo de qualidade. Os produtores que trabalham em terras arrendadas são os mais prejudicados, pois têm menos patrimônio para oferecer como garantia nas instituições financeiras.

O clima também entra como fator de risco. A influência do El Niño pode provocar falta de chuva no Norte e no Nordeste e excesso de precipitação no Centro-Sul, dificultando o desenvolvimento das lavouras e a colheita. Além disso, a umidade elevada favorece a bacteriose nas plantações.

Outro risco fitossanitário é a doença do couro de sapo, conhecida internacionalmente como Cassava Frog Skin Disease. Já registrada em lavouras dos principais estados produtores do Centro-Sul — região responsável por mais de 35% da produção nacional —, a doença pode causar perdas expressivas e danos irreversíveis às raízes, segundo informações da Embrapa.

Do lado da demanda, o cenário é mais favorável. Novas indústrias entraram em operação e empresas já estabelecidas ampliaram sua capacidade de processamento. O segmento de alimentos para pets também passou a consumir mais fécula e farinha. Nas exportações, os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, entre janeiro e julho de 2026, a quantidade de fécula exportada pelo Brasil ficou 78% acima do mesmo período de 2025, e os embarques de amidos modificados cresceram 47%.

Se a redução da produção se confirmar enquanto o consumo doméstico e as exportações permanecem aquecidos, os preços da mandioca podem encontrar maior sustentação. Por outro lado, isso elevaria os custos das indústrias de fécula, farinha e amidos. Diante desse cenário, o pesquisador do Cepea destaca a necessidade de estratégias de médio e longo prazos para reduzir a exposição da cadeia aos ciclos de preços.

Fonte: Portal Agroneg.