
De 1º a 31 de agosto, a Operação Resgate VI libertou 479 pessoas de situações de trabalho análogo à escravidão no Brasil. Os dados foram divulgados pelo Ministério Público Federal (MPF) nesta quarta-feira, dia 9. Entre as vítimas estavam 75 mulheres, 13 crianças ou adolescentes e 9 pessoas que trabalhavam em ambiente doméstico. Além de brasileiros, 66 migrantes foram resgatados, vindos da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.
A maior parte dos resgates aconteceu na zona rural: 292 pessoas, o equivalente a 57,5% do total. Os setores com mais ocorrências foram o cultivo de café (53 vítimas), cebola (47), batata-inglesa (44) e outras lavouras temporárias (43). Na zona urbana, 178 pessoas foram libertadas, sendo quase metade da construção civil, setor que respondeu por 85 resgates, ou 47,7% das vítimas urbanas.
O Sudeste concentrou 55,7% dos resgates, com 267 pessoas, a maioria no estado de Minas Gerais, com 208 resgatados. Os empregadores flagrados foram notificados, tiveram as atividades interditadas e foram obrigados a formalizar contratos retroativamente. O total em verbas trabalhistas e rescisórias chegou a R$ 1,4 milhão. Foram emitidos 1.836 autos de infração na fase VI da operação.
A Operação Resgate existe desde 2021 e reúne o MPF, o Ministério Público do Trabalho, a Polícia Federal, a Defensoria Pública da União e o Ministério do Trabalho e Emprego. Em cinco anos, a operação resgatou 1.192 trabalhadores sem carteira assinada. Em julho de 2026, foi sancionada a Lei nº 15.455/2026, que permite a fiscais entrarem em residências sem mandado judicial para apurar suspeitas de escravidão doméstica. A lei também prioriza as vítimas no Bolsa Família e determina a aplicação da Lei Maria da Penha quando a vítima for mulher.
Fonte: Agencia Brasil




