
O observatório climático europeu Copernicus divulgou nesta quinta-feira (10) que agosto de 2026 foi o mês mais quente já registrado no planeta desde que os registros começaram, em 1940. A temperatura média do ar foi de 16,96ºC, superando em apenas 0,01ºC o recorde anterior, que era de julho de 2023. Por causa dessa diferença tão pequena, o Copernicus considera que os dois meses dividem o recorde.
Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, que coordena o Copernicus, declarou à AFP que os humanos provavelmente não viviam temperaturas tão altas há pelo menos 100.000 anos. Outras evidências, como núcleos de gelo, anéis de árvores e esqueletos de corais, ajudam os cientistas a entender o clima atual dentro de um contexto histórico muito mais longo.
Os oceanos também quebraram recordes: o Atlântico, o Mediterrâneo e o Pacífico tropical atingiram temperaturas sem precedentes. Mais de 90% do excesso de calor gerado pelas emissões de gases do efeito estufa foi absorvido pelos mares, com impacto severo para a vida marinha, os recifes de corais e as comunidades que vivem no litoral.
O El Niño mais intenso da era moderna está ganhando força rapidamente no Pacífico. Cientistas esperam que os recordes continuem sendo quebrados nos próximos meses, com o pico previsto para dezembro, e que 2027 — ou até mesmo 2026 — se torne o ano mais quente já observado.
Quase 1,3 bilhão de pessoas viveram, entre junho e agosto, o verão mais quente já registrado. Foram 52 países, em todos os continentes, que bateram recordes de temperatura no período. Onze países da Europa Ocidental, entre eles Espanha e Itália, quebraram marcas durante toda a estação. Um levantamento da AFP com dados de oito países europeus contabiliza pelo menos 35.000 mortes adicionais associadas ao calor entre meados de junho e o fim de agosto.
O chefe de clima da ONU, Simon Stiell, afirmou que as evidências são irrefutáveis e que esse é o preço da dependência da humanidade dos combustíveis fósseis. A ONU advertiu que o planeta continuará avançando em direção a níveis nunca vistos enquanto os combustíveis fósseis não forem abandonados.
Fonte: Jovem Pan




