
A guerra na Ucrânia já dura mais de 4 anos sem previsão de acordo de paz. Nesse período, o país deixou de realizar duas eleições: a parlamentar, que deveria ter ocorrido há cerca de 2 anos e meio, e a presidencial, há 2 anos. A Constituição ucraniana proíbe eleições durante a lei marcial, e por isso o presidente Volodymyr Zelensky, do partido Servo do Povo, segue no cargo.
A jornalista ucraniana Olga Rudenko, editora-chefe do The Kyiv Independent, concedeu entrevista ao Poder360 e explicou que a maioria dos ucranianos entende os riscos de realizar eleições em tempo de guerra. Segundo ela, o consenso no país é de que é preciso ao menos um cessar-fogo estável para que uma eleição aconteça.
Em agosto, o ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, demitido por Zelensky em julho após apenas 6 meses no cargo, pediu publicamente a realização de eleições durante a guerra, algo que, segundo Olga, nunca havia sido feito antes. Fedorov era visto como forte aliado do presidente e foi demitido por, segundo Zelensky, não conseguir trabalhar em sincronia com as Forças Armadas. Olga contou que chegou a haver protestos nas ruas contra a demissão dele.
Zelensky, por sua vez, disse à imprensa em 23 de agosto que eleições neste momento seriam um "tsunami para o Estado" e que sua estratégia é levar o país ao fim da guerra preservando a soberania ucraniana.
Uma pesquisa do KIIS, realizada entre 20 de julho e 3 de agosto, mostrou que 57% dos ucranianos quer eleições apenas após um acordo final de paz, 23% após um cessar-fogo com garantias de segurança e 15% quer votar imediatamente. Outra pesquisa do mesmo instituto, de agosto a setembro, apontou que 54% ainda confiam em Zelensky, contra 41% que não confiam. Olga avalia que decisões polêmicas, como a demissão de Fedorov, pesam na aprovação do presidente, que já chegou a 80% durante a guerra.
Fonte: Poder360




