
A inflação medida pelo IPCA ficou em 0,16% em junho, bem abaixo da projeção de 0,31% feita pelo mercado financeiro. A principal razão para esse resultado mais baixo foi a queda nos preços dos alimentos. O resultado positivo até puxou as estimativas para baixo: segundo o Boletim Focus, documento do Banco Central que reúne as projeções dos principais agentes do mercado, a expectativa de inflação para 2026 caiu de 5,30% para 5,16% em uma semana.
Apesar da notícia boa, os especialistas pedem cautela. A inflação acumulada nos últimos 12 meses está em 4,64%, ainda acima do teto da meta oficial, que é de 4,5%. E há três riscos importantes que podem voltar a pressionar os preços.
O primeiro é o fiscal: isenções e crédito subsidiado para vários setores estão aquecendo a demanda além da capacidade de produção da economia, o que gera pressão nos preços. O segundo risco vem do Oriente Médio: o cessar-fogo mal completou um mês e o petróleo já voltou a subir com força. Com o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã, há grande chance de o barril voltar a custar US$ 100, o que teria impacto direto nos combustíveis e nos preços em geral. O terceiro fator é o clima: a chegada do El Niño pode prejudicar a safra agrícola, reduzir a oferta de alimentos e encarecer o que chega à mesa do brasileiro. Com todos esses riscos no horizonte, a conclusão da análise é que o Banco Central tem pouco espaço para reduzir a taxa Selic.
Fonte: Jovem Pan




