
A indústria têxtil brasileira está mudando a forma de lidar com o que sobra dentro das fábricas. Capas de fardos de algodão, estopas, resíduos da fiação, papelão e plásticos, que antes eram simplesmente descartados, passaram a ser reaproveitados como matéria-prima, biocombustível ou material reciclável.
O Brasil produz por volta de 170 mil toneladas de resíduos têxteis por ano, de acordo com pesquisa do Sebrae divulgada em abril de 2023. Desse total, apenas 20% são reciclados, e mais de 130 mil toneladas acabam em lixões ou aterros sanitários.
A Incofios, empresa de fiação de algodão com cinco unidades em Santa Catarina e Mato Grosso, colocou esse modelo em prática. Em 2025, a companhia reciclou ou reaproveitou 97,3% dos 1,51 milhão de quilos de resíduos gerados em suas fábricas. O volume total de resíduos caiu 24,7% em relação ao ano anterior, e apenas 2,7% precisou ser enviado para aterros sanitários.
Segundo o diretor-geral da Incofios, Edson Augusto Schlogl, os resultados vêm da organização do processo produtivo e da definição de um destino certo para cada tipo de material gerado.
Parte das sobras é transformada em briquetes, usados como biocombustível nas caldeiras das próprias fábricas. Estopas limpas, papelão, plástico e sucata seguem para reciclagem ou são comercializados.
Na logística, a empresa aumentou em 31,34% o volume de produtos enviados em paletes, no lugar das tradicionais caixas de papelão. A mudança evitou o uso de mais de 103 mil caixas e gerou economia de mais de 108 mil quilos de papelão e 18,5 mil quilos de plástico.
No cenário internacional, a União Europeia passou a exigir, desde janeiro de 2025, coleta seletiva de resíduos têxteis em todos os países do bloco. O novo modelo também prevê que as empresas participem do financiamento e da gestão dos produtos após o fim da vida útil, o que deve pressionar exportadores brasileiros de tecidos, fios, roupas e calçados a adotarem práticas similares.
Fonte: Portal Agroneg.




