
O escritor Augusto Cury, candidato à Presidência pelo Avante, marcou 10% das intenções de voto na pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira, dia 2 de julho. É o desempenho mais expressivo de uma candidatura fora da polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) desde 2014, quando Marina Silva, que assumiu a candidatura após a morte de Eduardo Campos (PSB), chegou a ameaçar Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT).
Segundo a análise, Cury tira votos tanto de Lula quanto de candidatos da direita, mas o efeito mais relevante parece ser outro: ele está atraindo eleitores que até agora não tinham ninguém para votar, tirando esse grupo do ostracismo.
Em 2022, Simone Tebet (MDB) terminou o primeiro turno com 4,16% dos votos disputando o espaço do centro. Em 2018, Ciro Gomes liderou esse grupo, mas a reportagem aponta que ele estava longe de ser visto como candidato moderado ou centrista.
A campanha de Cury aposta em um estilo diferente do político tradicional. Ele mistura autoajuda e coachismo na sua bagagem e apresenta propostas inusitadas, como o uso de drones para combater o feminicídio no Brasil e a colocação de influenciadores digitais em embaixadas brasileiras ao redor do mundo. Segundo a análise, essa estratégia funciona porque ele não tem perspectiva real de chegar ao poder, e quem não precisa vencer pode se dar ao luxo de ser diferente.
Na avaliação da reportagem, Cury prova que o eleitor "nem Lula, nem Bolsonaro" não é fantasia — ele existe e pode não estar buscando o tradicional candidato de centro.
Fonte: Metropoles




