
O Ministério da Fazenda divulgou nesta terça-feira, 22 de julho de 2026, o Boletim Macrofiscal de setembro, elaborado pela Secretaria de Política Econômica. O documento trouxe revisão para baixo na estimativa de crescimento do PIB em 2026, que passou de 2,3% para 2,0%. A inflação oficial medida pelo IPCA também teve a projeção reduzida, de 5,1% para 4,9% no ano. O INPC caiu de 5,3% para 5,1%, e o IGP-DI recuou de 5,6% para 5,0%.
A queda no PIB reflete a desaceleração em dois dos três grandes setores da economia. Os serviços tiveram a projeção cortada de 2,4% para 1,8%, pressionados pelo aumento do endividamento das famílias. A indústria recuou de 2,1% para 1,7%, por causa do crédito caro, especialmente na indústria de transformação. Já o agronegócio foi na contramão e teve revisão para cima, de 1,8% para 2,8%, beneficiado pela boa safra de grãos. Para 2027, a projeção do PIB caiu de 2,5% para 2,3%, e de 2028 a 2030 a estimativa permanece em 2,6% ao ano.
Para 2027, a inflação deve subir levemente, de 3,6% para 3,8%, por três fatores: a intensificação do El Niño sobre a safra, a retenção de fêmeas no ciclo de abate do gado pressionando o preço da carne, e o custo mais alto dos fertilizantes. De 2028 a 2030, o IPCA é projetado na meta de 3,0% ao ano.
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego chegou a 5,3% em julho de 2026. A população ocupada cresceu 0,3% no trimestre, mas a massa de renda real recuou 0,3% no mesmo período. O crédito total ao setor privado ainda registra impulso negativo, de -0,6 ponto percentual do PIB em quatro trimestres.
Nas contas públicas, o governo acumulou déficit primário de R$ 81 bilhões entre janeiro e julho. Após deduções totais de R$ 62,78 bilhões — que incluem precatórios, ações de saúde, projetos de defesa e decisão judicial do INSS — o resultado passa a um superavit de R$ 10,77 bilhões para fins de cumprimento da meta fiscal de 2026. As projeções do mercado também melhoraram: a estimativa de déficit para 2026 caiu para R$ 52,27 bilhões, o melhor número desde dezembro de 2023. Para 2027, a projeção de déficit recuou de R$ 53,88 bilhões para R$ 45,35 bilhões. A dívida bruta do governo é estimada em 83,2% do PIB em 2026 e 87,0% em 2027.
O boletim aponta três riscos principais: tensões entre Estados Unidos e Irã podem levar o barril de petróleo Brent a superar US$ 100; o El Niño pode pressionar a inflação de alimentos em 2027; e os juros altos nos Estados Unidos, impulsionados pelos investimentos em inteligência artificial, encarecem o crédito no mundo todo.
Fonte: Poder360




