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Notícias/NEWS20/07/2026· KF News

Compras internacionais batem recorde de R$ 2,6 bilhões em junho após fim da taxa das blusinhas

As compras internacionais processadas pelo Programa Remessa Conforme atingiram R$ 2,6 bilhões em junho de 2026, o maior valor mensal desde a criação do sistema, em 2023. Os dados são do jornal Valor Econômico, com base em informações da Receita Federal. Em maio, o total tinha sido de R$ 1,9 bilhão, ou seja, o crescimento foi de quase 37% em um único mês.

Em junho, foram 27,4 milhões de pacotes entregues, uma média de 910 mil por dia. O número de encomendas cresceu 40% em relação a maio e 116% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O recorde aconteceu no 2º mês de vigência da MP 1.357 de 2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 12 de maio. A medida zerou o imposto federal de 20% sobre compras de até US$ 50, acabando com a chamada taxa das blusinhas. A regra começou a valer no dia seguinte à assinatura. O ICMS cobrado pelos estados foi mantido. Para compras entre US$ 50 e US$ 3.000, o imposto federal continua em 60%, mas com uma dedução fixa de US$ 30 no cálculo. A MP precisa ser aprovada pelo Congresso até 24 de setembro para não perder a validade.

Entidades da indústria e do varejo criticaram a decisão. Jorge Gonçalves Filho, presidente do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), disse ao Valor que não vê justificativa técnica para a isenção e atribuiu a medida à busca por votos. A Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) defende que produtos nacionais voltados ao varejo popular também recebam isenção e espera que a MP perca a validade, embora considere esse cenário difícil por causa da proximidade das eleições.

A Receita Federal afirmou que ainda é cedo para saber se o movimento de junho será duradouro. O órgão informou que 32% dos R$ 13 bilhões movimentados pelo programa em 2026 vieram de remessas acima de US$ 50, sujeitas ao imposto federal. Já a Amobitec, que representa plataformas digitais, classificou a alta como natural e esperada, argumentando que o comércio internacional amplia o acesso a produtos e gera empregos em logística e distribuição.

Fonte: Poder360