
Aquela sensação de que o coração "falhou" ou deu um "tranco" tem nome: extrassístole. É um batimento que acontece antes da hora, originado por um foco elétrico fora do ritmo normal do coração. O cardiologista Nilton Carneiro, do Hospital Santa Catarina, em São Paulo, explica que esse batimento precoce costuma ser menos eficiente, e muita gente nem percebe quando ele ocorre. Depois dele, vem uma pequena pausa até o ritmo voltar ao normal — e é justamente essa pausa, seguida de um batimento um pouco mais forte, que provoca a sensação de que o coração parou. Silvio Gioppato, cardiologista e diretor do Laboratório de Hemodinâmica do Hospital de Clínicas da Unicamp, garante: o coração não para de bater. Segundo os especialistas, na maioria dos casos as extrassístoles são benignas e não aumentam o risco de problemas no coração. As causas mais comuns são estresse, privação de sono, excesso de cafeína, álcool, cigarro, uso de estimulantes e ansiedade. Pessoas ansiosas tendem a perceber mais os batimentos por ficarem em estado de alerta. Mas há situações que pedem atenção: desmaios, dor no peito, falta de ar, batimentos irregulares durante exercício físico ou em quem tem doença cardíaca ou histórico familiar de morte súbita são sinais para procurar um médico. O diagnóstico envolve eletrocardiograma, holter de 24 horas, ecocardiograma e, dependendo do caso, teste ergométrico e ressonância cardíaca. O tratamento depende da causa: mudanças no estilo de vida já resolvem quando o problema está ligado a cafeína, álcool, cigarro ou estresse. Quando há doença cardíaca associada, o tratamento foca na causa, e em casos mais frequentes podem ser indicados medicamentos antiarrítmicos.
Fonte: Drauzio Varella




