Rádio Melodia Europa

Notícia

SAÚDE

Notícias/SAÚDE14/07/2026· KF News

60% dos brasileiros ficam ansiosos longe do celular e Brasil lidera índice de nomofobia na América Latina

Um estudo da plataforma Nomophobia.com, que pesquisa a relação entre tecnologia e vida cotidiana, revelou que 60% dos brasileiros sentem ansiedade quando estão longe do celular. A pesquisa ouviu 3.094 latino-americanos em seis países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru. Dos 758 brasileiros participantes, 12% acreditam sofrer de nomofobia — o maior percentual entre todos os países pesquisados. Argentina, Colômbia e México registraram 6% cada, Chile ficou em 8% e Peru em 9%.

Os dados mostram ainda que 87% dos brasileiros se consideram dependentes do celular para as atividades diárias, e 79% reconhecem o uso excessivo do aparelho — índice superior ao do México (63%), Argentina (62%) e Peru (57%). Esse comportamento trouxe problemas pessoais ou profissionais para 35% dos entrevistados e causou perda de emprego para 13%. O celular é usado até em situações inusitadas: durante eventos religiosos (20%), em trajetos de bicicleta (11%) e em relações sexuais (4%). Outros 76% olham o aparelho logo ao acordar e 80% fazem isso como última atividade antes de dormir.

A psicóloga Mariana Soto, do Hospital Saúde Premium, em Capela do Alto (SP), explica que a nomofobia é um transtorno da sociedade digital contemporânea, considerado um dos principais novos transtornos do século XXI. O termo foi criado em 2008 e vem do inglês no-mobile-phone phobia. Segundo ela, o problema não é o tempo de tela, mas o desconforto gerado pela impossibilidade de acessar o aparelho. Os sinais de alerta aparecem quando ficar sem bateria, perder sinal ou esquecer o celular geram desespero fora do normal, acompanhado de irritação, ansiedade e dificuldade para realizar tarefas simples.

A profissional lista consequências graves da nomofobia: crises de ansiedade, depressão, isolamento social, insônia e baixa produtividade. No corpo, podem surgir taquicardia, sudorese, tremores, tensão muscular, desconforto nos olhos e dores de cabeça, de estômago, no pulso e no pescoço. Mariana recomenda buscar atendimento especializado logo nos primeiros sinais e destaca que o apoio de familiares e amigos é fundamental, já que essas pessoas podem perceber sintomas que o próprio dependente não enxerga. "A ideia não é cortar a tecnologia da vida, mas perceber quando essa relação começa a controlar demais o comportamento e as emoções", afirma a psicóloga.

Fonte: Ler matéria original