
O Brasil tem mais de 22,1 milhões de eleitores com direito ao voto facultativo, de acordo com o cadastro eleitoral mais recente do Tribunal Superior Eleitoral, o TSE. Esse grupo representa 14% do eleitorado nacional. Os outros 86% são obrigados a votar ou a justificar a ausência — quem não faz nenhum dos dois pode pagar multa e enfrentar restrições administrativas.
Têm voto facultativo três grupos: os jovens de 16 e 17 anos, as pessoas com 70 anos ou mais e os analfabetos, independentemente da idade.
Entre 2022 e 2026, o eleitorado brasileiro cresceu 1,5% no total. Já o número de eleitores com voto facultativo subiu 6% no mesmo período — um ritmo quase quatro vezes maior. O principal fator por trás desse crescimento é o envelhecimento da população: a cada eleição, mais brasileiros ultrapassam os 70 anos e passam a integrar esse grupo.
Dentro do universo de eleitores facultativos, 76% têm 70 anos ou mais. Os adolescentes de 16 e 17 anos representam 9% do grupo, e os analfabetos somam 15%.
O professor de Direito Eleitoral da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Flávio Bastos, avalia que esse eleitorado é uma parcela "importante e indispensável, especialmente nas eleições que são disputadas voto a voto", como aconteceu em 2018 e 2022 e, segundo ele, deve acontecer de novo em 2026. Bastos ainda aponta que o crescimento desse grupo pode levar candidatos a adotar um "duplo convencimento": primeiro motivar o eleitor a sair de casa para votar e, depois, convencê-lo a apoiar suas ideias.
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