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Notícias/AGRONEGÓCIO13/09/2026· KF News

Zoneamento agrícola e plantio direto ajudam produtores do Cerrado a enfrentar El Niño forte em 2026

Foto: Divulgação/Poder360

O Cerrado, que se estende pelas regiões Central, Norte e Nordeste do Brasil, pode enfrentar um El Niño de grande intensidade em 2026, com impactos diretos na produção de grãos. O pesquisador Fernando Macena, da Embrapa Cerrados, informa que o Índice Oceânico Niño atingiu +1,4°C em junho de 2026, já no segundo mês consecutivo acima do limite que caracteriza o fenômeno. Projeções individuais apontam que anomalias podem superar +2,5°C no Pacífico tropical, o que configuraria um evento de magnitude histórica. O ano de 2026 também registrou o segundo maio mais quente da história, com ondas de calor precoces na Europa e eventos extremos em vários continentes.

Para a agricultura no Cerrado, Macena aponta três grandes problemas: irregularidade no início das chuvas, que atrapalha a semeadura da cultura principal de verão; veranicos prolongados, que causam estresse hídrico nas lavouras; e atrasos na safrinha de milho, sorgo ou algodão, que fica exposta à seca antes de completar o ciclo.

Um estudo em fase de publicação, usando o modelo Stics, simulou a produtividade da soja BRS 8383IPRO em quatro localidades do Cerrado — Cuiabá (MT), Rio Verde (GO), Planaltina (DF) e Barreiras (BA) — com dados climáticos de 1975 a 2024. O levantamento mostrou quebras expressivas de rendimento em anos de El Niño, mais severas quando o plantio ocorre em setembro e outubro com manejo convencional, que revolve o solo com aração e gradagem.

Por outro lado, o Sistema Plantio Direto, que mantém cobertura do solo e evita o uso de arados, apresentou produtividades superiores em todos os cenários analisados. Macena recomenda quatro pilares para enfrentar a safra: adotar o SPD com integração lavoura-pecuária; escalonar as datas de plantio combinando cultivares de ciclos precoce, médio e tardio conforme o Zarc; e monitorar pragas e doenças de forma integrada. O Zarc, desenvolvido pela Embrapa e parceiros sob coordenação do Ministério da Agricultura, orienta sobre datas de semeadura, tipos de solo e cultivares, trabalhando com níveis de risco de 20%, 30% e 40% de perdas em cada município brasileiro.

Fonte: Poder360