
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, estava previsto para viajar a Dubai na noite do dia 18 de novembro de 2025, com decolagem de Guarulhos às 23h10, escala em Milão e chegada no dia 20. No sábado, dia 15, uma empresa de apoio a voos executivos ainda pedia autorização de pouso nos Emirados Árabes seguindo esse roteiro.
Mas naquele mesmo sábado, às 18h22, Vorcaro enviou mensagem ao ministro Alexandre de Moraes perguntando: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". Isso foi encontrado pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular do banqueiro.
Na manhã de segunda-feira, dia 17, Vorcaro comunicou a dois servidores do Banco Central, em um grupo de WhatsApp, que estava mudando a programação. Disse que os investidores estrangeiros pediram que ele antecipasse a ida para fechar assinaturas. No mesmo dia, recebeu uma reserva no hotel Four Seasons em Dubai com chegada adiantada para o dia 18. À noite, foi preso pela PF quando tentava embarcar.
Na manhã seguinte, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero e o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. Os dois servidores do Banco Central citados no grupo, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, foram afastados dos cargos sob suspeita de terem recebido vantagens para ajudar Vorcaro. As defesas contestam as acusações.
A investigação também aponta um contrato de R$ 108 milhões entre o Master e o escritório Barci de Moraes, ligado a Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. O contrato foi assinado em janeiro de 2024, com 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões. A PF identificou o usuário "Ministro Alexandre de Moraes" como responsável pela última edição do documento antes do envio a Vorcaro.
Fonte: Jovem Pan




