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Notícias/SAÚDE08/09/2026· KF News

Drauzio Varella alerta que queda na vacinação reintroduziu o sarampo no Brasil com 23 casos novos em São Paulo

O médico Drauzio Varella escreveu um texto sobre vacinação e os riscos de abandonar as vacinas. Ele conta que nasceu no Brás, zona leste de São Paulo, numa época em que crianças não eram vacinadas. Por isso, teve sarampo, coqueluche, difteria, varicela, caxumba, escarlatina e diversas viroses respiratórias. As chamadas "doenças da infância" matavam muitas crianças e engrossavam as taxas de mortalidade infantil da época.

Drauzio lembra do medo constante da poliomielite. Nunca estudou numa turma sem algum colega usando próteses metálicas nas pernas por causa da doença. Na faculdade, viu de perto o setor do "pulmão de aço", onde crianças ficavam dentro de um tubo metálico que respirava por elas, já que o vírus havia paralisado sua musculatura. A criança ficava imóvel até se recuperar ou até morrer. Quando faltava luz, todo o hospital corria para manter as máquinas funcionando manualmente.

Na enfermaria de varíola do Hospital Emilio Ribas, pacientes viviam isolados, cobertos pelas marcas das vesículas. Muitos ficavam cegos. Nas formas mais graves, a doença matava até 50% dos infectados.

As vacinas mudaram esse cenário. A varíola foi declarada eliminada do mundo pela OMS em 1980. O último caso de poliomielite no Brasil aconteceu em março de 1989. Em 2016, a OMS deu ao país o certificado de livre do sarampo. Mas a queda nos índices de vacinação permitiu que o vírus voltasse em 2019, e só em São Paulo já foram registrados 23 casos novos neste ano.

Para Drauzio, quem espalha desinformação para minar a confiança em vacinas aprovadas pela Anvisa comete um crime contra a saúde pública e deveria ser processado e julgado. Médicos que defendem essas ideias, segundo ele, deveriam ser impedidos pelos conselhos médicos de exercer a profissão.

Fonte: Drauzio Varella