
As baixas temperaturas registradas no Rio Grande do Sul colocaram os viticultores em estado de alerta. O momento é delicado porque as videiras já começaram a brotar, e nessa fase os tecidos jovens são muito mais sensíveis ao congelamento do que quando a planta ainda está em dormência.
Em Monte Belo do Sul, na Serra Gaúcha, a Casa Marques Pereira adota duas estratégias para enfrentar as noites de geada: um sistema automatizado de aspersão de água, instalado em 2024, e o apoio de tratores durante as madrugadas de maior risco. O sistema de aspersão lança uma névoa de gotículas finas sobre as videiras. Ao entrar em contato com as gemas, a água congela e forma uma camada protetora — algo parecido com um "iglu", na descrição do próprio vinhateiro e empresário Felipe Marques Pereira. Esse processo libera calor enquanto a água congela, mantendo a temperatura próxima de 0 °C e protegendo os brotos de condições ainda mais severas. Para que o método funcione, a aspersão precisa ser contínua durante todo o período crítico. Se for interrompida antes do frio passar, a proteção é perdida.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, alerta que o frio intenso pode causar danos irreversíveis em folhas, brotos, ramos e nas estruturas responsáveis pela formação dos cachos, comprometendo o potencial produtivo da safra inteira. Na Casa Marques Pereira, o risco foi agravado pelas ondas de calor registradas no final de julho, que anteciparam a brotação das videiras e deixaram as plantas ainda mais expostas às geadas que vieram depois.
Fonte: Portal Agroneg.




