
As vendas de carros no Brasil foram bem entre janeiro e agosto deste ano, com alta de 18,4%. Mas a indústria nacional não acompanhou esse ritmo: a produção cresceu apenas 8,5% no mesmo período. Quem deu o alerta foi Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea.
Das 148 mil unidades a mais que foram vendidas no mercado brasileiro, cerca de 101 mil vieram de fora do país. A maioria chega da China em kits desarmados, chamados de CKD ou SKD, o que significa que o conteúdo fabricado dentro do Brasil é baixo.
Os veículos importados tiveram alta de 30,3% nas vendas, enquanto os nacionais avançaram 17,2%. Segundo Calvet, o crescimento dos importados, especialmente os chineses, ajuda a explicar por que a indústria local fica com uma parcela pequena do mercado.
Apesar de todo o crescimento dos elétricos e híbridos, o carro flex continua na liderança com folga, representando 68,3% das vendas no acumulado do ano. Em segundo vem o motor a diesel, com 9,2%, superando os elétricos puros, que registram 7,6%. Os híbridos plug-in aparecem com 6,1%, os híbridos convencionais com 5,9%, os movidos só a gasolina com 2,7% e os de etanol puro com 0,1%.
A partir de janeiro do próximo ano, o imposto de importação para veículos elétricos e eletrificados passa a ter a alíquota cheia de 35%, incluindo os kits desarmados. Mesmo com essa mudança, o impacto pode ser menor do que parece, porque o estoque formado antes da recomposição tarifária deve dar fôlego para marcas como a BYD continuarem crescendo no mercado.
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