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Notícias/SAÚDE16/09/2026· KF News

Anvisa proíbe caneta paraguaia T36, que tem o mesmo princípio ativo do Mounjaro

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A Anvisa proibiu nesta quarta-feira (16) a importação, o armazenamento, a distribuição, a comercialização, a propaganda e o uso da caneta emagrecedora paraguaia T36. O produto é vendido como versão de tirzepatida, o mesmo princípio ativo do Mounjaro, da farmacêutica americana Eli Lilly, hoje o único medicamento com essa substância autorizado a circular no Brasil.

A T36 é fabricada pelo laboratório Catedral, o mesmo responsável pela Tirzedral, outra caneta paraguaia de tirzepatida que já havia sido proibida pela Anvisa. Até a decisão desta quarta, a T36 não aparecia nominalmente nas resoluções da agência, o que abria uma brecha para a compra individual. Segundo o advogado André Schleich, que atua em processos ligados às tirzepatidas paraguaias, a T36 não é um medicamento novo, mas uma nova embalagem da Tirzedral. "É basicamente o mesmo medicamento. Só mudaram a embalagem, mudaram a roupagem. Os dois são produzidos concomitantemente", afirmou.

Em 18 de agosto, a Folha de S.Paulo questionou a Anvisa sobre a ausência de medida específica contra a T36, que circulava em grupos de venda no WhatsApp desde junho. Em 20 de agosto, a agência confirmou que ainda não havia publicado nenhuma medida contra o produto, mas ressaltou que, sem registro sanitário no Brasil, a comercialização já era proibida. Com a decisão desta quarta, a T36 se junta a outros produtos já barrados, como TG, Lipoless, Lipoland, Gluconex e Tirzec.

Um estudo da Unicamp, encomendado pela Folha de S.Paulo, confirmou que amostras de tirzepatida paraguaia, incluindo a Tirzedral, continham o mesmo princípio ativo do Mounjaro. Porém, especialistas alertam que isso não é suficiente para garantir segurança ou eficácia, já que a análise não avaliou impurezas, contaminantes nem condições de fabricação. O médico endocrinologista Neuton Dornelas, presidente da SBEM, alerta que o principal risco é a pessoa aplicar algo sem saber exatamente o que está recebendo, sem garantia de pureza nem de armazenamento adequado.

Fonte: Jornal de Brasília