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Notícias/NEWS08/09/2026· KF News

Vazamento de metano no Mar da China foi contido por bactérias e vermes em menos tempo do que o esperado

Em 2018, geólogos do Serviço Geológico da China — órgão do governo chinês — perfuraram um buraco de 22 centímetros no fundo do Mar da China Meridional para medir o potencial de gás natural armazenado nos sedimentos da região. Após os testes, a equipe tentou selar a abertura com lama pesada, mas a vedação falhou. Um ano depois, em 2019, uma pluma de metano começou a subir da abertura, alcançando mais de um quilômetro de altura na coluna d'água. Os próprios cientistas estimavam que o problema levaria décadas, ou até um século, para se resolver naturalmente.

O que aconteceu foi bem diferente. Pesquisadores liderados pelo ecólogo microbiano Emil Ruff, da Universidade de Bremen, na Alemanha, acompanharam a área com ecobatímetros, câmeras subaquáticas e sensores químicos. Em apenas um ou dois anos, um ecossistema de bactérias, arqueias, vermes tubulares e crustáceos se formou no local e já processava uma quantidade de gás próxima à esperada de um sistema maduro. Os vermes, ao escavar o sedimento, ajudaram a levar oxigênio, nitrato e sulfato para camadas mais profundas, favorecendo ainda mais a quebra do gás.

Em 2023, a pluma de metano já havia caído de 1.200 metros para cerca de 800 metros acima do fundo do mar. Mesmo com essa melhora, o estudo, publicado na Science Direct, mostrou que o impacto ambiental se espalhou: amostras em mais de 40 locais ao redor da área encontraram metano elevado nos sedimentos até 500 metros de distância, com queda de mais de 30% na diversidade microbiana da região. O caso não é isolado: entre 2010 e 2020, programas chineses concluíram mais de 80 poços de avaliação no Mar da China Meridional, e vazamentos parecidos já foram identificados em poços abandonados no Mar do Norte, na Europa.

Fonte: Metropoles