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Notícias/AGRONEGÓCIO11/09/2026· KF News

Qualidade do leite ganha peso nas negociações, mas volume ainda sustenta a indústria brasileira

A cadeia produtiva do leite no Brasil vive uma mudança de paradigma. Durante décadas, o que definia o valor da matéria-prima era principalmente a quantidade captada. Agora, indicadores de qualidade — como gordura, proteína, sólidos totais, Contagem Bacteriana Total (CBT) e Contagem de Células Somáticas (CCS) — ganharam espaço nas negociações entre produtores, cooperativas e laticínios.

A pesquisadora Natália Grigol, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), explica que volume e qualidade cumprem funções complementares. A qualidade eleva o valor recebido por litro e melhora o aproveitamento industrial na fabricação de queijos, manteiga, leite em pó e outros derivados. O volume, por sua vez, mantém as fábricas em operação e dilui os custos fixos.

Uma pesquisa de campo com representantes de 33 laticínios e cooperativas — responsáveis por aproximadamente 25% do leite industrializado no Brasil — revelou que 75,8% concordaram, em algum grau, que a qualidade é mais importante do que a escala diária na hora de adquirir o leite cru. Produtores que entregam leite dentro dos padrões podem receber bonificações e conquistar mais poder de negociação.

Apesar disso, o volume segue estratégico. Os maiores laticínios brasileiros operaram com utilização média de 65,5% da capacidade instalada na última década, deixando 34,5% da estrutura ociosa. O potencial produtivo doméstico avançou apenas 1,4% no período, aumentando a disputa pela captação de matéria-prima.

O Cepea também debate melhorias no seu Indicador do Leite ao Produtor. Entre as propostas discutidas em reunião realizada em agosto, em Piracicaba, estão auditorias mensais e a adoção de uma Interface de Programação de Aplicações (API) para garantir dados mais íntegros, rastreáveis e confiáveis no cálculo do indicador.

Fonte: Portal Agroneg.