
O Parlamento do Reino Unido rejeitou nesta sexta-feira (11/9) o projeto de lei que previa legalizar a morte assistida para pacientes em estágio terminal na Inglaterra e no País de Gales. A proposta foi derrubada por uma margem apertada: 286 deputados votaram contra e 270 votaram a favor, uma diferença de apenas 16 votos.
O texto estabelecia que pacientes com expectativa de vida inferior a seis meses poderiam solicitar assistência médica para morrer. O pedido precisaria passar pela avaliação de dois médicos e de um comitê formado por especialistas. Outra exigência era que o próprio paciente tivesse condições de administrar a substância utilizada para provocar a morte.
Os defensores da medida argumentavam que a lei daria mais autonomia a adultos com doenças incuráveis, permitindo que encerrassem a vida de forma que considerassem digna. Os críticos, por outro lado, afirmavam que a mudança poderia criar pressão sobre idosos e pessoas com deficiência, que poderiam se sentir obrigados a escolher a morte para não representar um peso para a família ou para o sistema de saúde.
Durante o debate, a deputada trabalhista Janet Daby contou que mudou de posição após ter "pesadelos sobre a morte e o fato de morrer" desde que votou a favor em votações anteriores. Já a deputada trabalhista Lauren Edwards, uma das principais defensoras do projeto, criticou a decisão e disse que os parlamentares "deixaram passar a sua oportunidade" de mudar a legislação, classificando as regras atuais como "injustas para mantê-las como estão".
O projeto havia sido aprovado pelos deputados em junho de 2025, mas acabou travado na Câmara dos Lordes. Em abril foi abandonado após longo bloqueio e voltou a ser apresentado em meados de junho por uma deputada trabalhista. O primeiro-ministro Andy Burnham, que assumiu o cargo em julho, optou por não participar da votação para evitar influenciar o resultado. Com a rejeição, Inglaterra e País de Gales ficam numa posição diferente de países que já aprovaram modelos parecidos, como Canadá, Bélgica, Suíça e Uruguai.
Fonte: Metropoles




