
A cúpula da Polícia Federal recebeu com tranquilidade, mas também com forte discordância, as declarações dos ministros Luiz Fux e André Mendonça sobre uma suposta "PF paralela" que teria atuado contra integrantes do STF. O diretor-geral Andrei Rodrigues mantém a convicção de que agiu dentro de suas atribuições e cumpriu todas as determinações judiciais recebidas pela corporação. Nos bastidores, a avaliação é de que não foram apresentados elementos concretos capazes de demonstrar a existência dessa estrutura paralela. Há também incômodo com a interpretação de que a PF teria "peitado" a Corte. Para a cúpula, recorrer à Advocacia-Geral da União para contestar uma decisão é o exercício regular do direito de questionar uma medida judicial, e não uma afronta ao STF. Sobre os relatórios de inteligência mencionados por Fux, a PF nega qualquer vazamento e afirma que os documentos foram enviados em cumprimento a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes. Fux disse que nunca imaginou a PF confrontando um integrante do Supremo e que a instituição não poderia ser usada para "degradar a Corte". Mendonça concordou e foi além, falando em monitoramento de ministros e alertando até Gilmar Mendes de que ele próprio não estaria a salvo. Gilmar, por sua vez, contestou as acusações, criticou o afastamento de Andrei da direção da PF e comparou a medida à retirada do comandante do Exército, defendendo que uma decisão desse porte exigiria cautela excepcional. Nos bastidores da PF, a manifestação de Gilmar foi vista como um contraponto relevante. A corporação informou que não divulgará nota oficial sobre o episódio.
Fonte: Metropoles




