
A Polícia Federal concluiu, por meio de laudo pericial produzido no inquérito que investiga as operações entre o Banco Master e o BRB, que as compras de carteiras de crédito foram conduzidas com práticas de gestão fraudulenta. O laudo aponta um padrão repetido de decisões que enfraqueceu os controles internos do BRB e permitiu que as operações continuassem mesmo diante de alertas sobre riscos e problemas nas carteiras adquiridas.
A PF analisou 181 operações que somaram R$ 47,7 bilhões. Em 123 delas, o Banco Master aparece como vendedor ao BRB, com R$ 31,7 bilhões pagos. Um dos pontos mais graves é que o BRB desembolsou R$ 7,6 bilhões em 22 operações antes de concluir ao menos um dos pareceres técnicos que deveriam orientar as compras — valor que representa 43,41% do total gasto nas aquisições de carteiras de varejo analisadas. Em um caso específico, o BRB fez um pagamento de R$ 209,3 milhões em 13 de novembro de 2024, enquanto a aprovação da Diretoria Colegiada só ocorreu no dia seguinte.
A perícia também encontrou e-mails autorizando liquidações com documentos e pareceres ainda pendentes. As compras foram divididas em operações menores para não ultrapassar o limite de R$ 750 milhões da Diretoria Colegiada — valores acima disso deveriam ir ao Conselho de Administração. Das 25 aprovações identificadas, que somaram R$ 17,5 bilhões, 21 foram exatamente no teto de R$ 750 milhões. Para os peritos, houve uma "burla material" às regras internas.
As compras ainda continuaram mesmo após alertas do próprio BRB sobre falta de lastro, dados fictícios, problemas nos contratos e clientes que não reconheciam os créditos. Foram pagos R$ 5,23 bilhões após o primeiro relatório de alerta e R$ 2,19 bilhões após o relatório final. Os documentos vieram a público depois que o presidente do STF, Edson Fachin, mandou liberar o sigilo da investigação e determinou o envio do material aos demais ministros antes do julgamento marcado para 15 de setembro. O relator do caso, ministro André Mendonça, atendeu ao despacho e retirou o sigilo dos processos.
Fonte: Jovem Pan




