
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual Paulista (Unesp), no câmpus de Registro, no interior de São Paulo, está investigando o uso de hidrolatos para combater a antracnose, doença que afeta frutas e provoca perdas expressivas durante o amadurecimento e a comercialização. Os hidrolatos são subprodutos gerados durante a fabricação de óleos essenciais e, na maior parte das vezes, simplesmente descartados. A proposta dos pesquisadores é avaliar se esse material pode ser reaproveitado como alternativa no controle fitossanitário, agregando valor a um resíduo industrial e tornando a agricultura mais sustentável.
A antracnose tem uma dinâmica diferente de outras doenças: o fungo pode ficar no fruto ainda verde sem mostrar nenhum sinal visível. Quando a fruta começa a amadurecer, as transformações no interior do fruto — como a conversão do amido em açúcar — criam condições favoráveis para o fungo avançar. Em frutas climatéricas, como o mamão, esse processo continua mesmo depois da colheita, o que aumenta o risco de perdas no armazenamento, no transporte e nos pontos de venda.
O estudo é conduzido pelo Grupo de Pesquisa Doenças de Plantas Frutíferas, coordenado pela professora Maria Cândida de Godoy Gasparoto. O agrônomo recém-formado Pedro Ferreira da Silva Neto foi o responsável pela pesquisa desde 2024, quando recebeu uma bolsa do Programa PIBITI, vinculado ao CNPq. Ele foi bicampeão do Congresso de Iniciação Científica da Unesp, com primeiro lugar na área de Ciências Agrárias em 2024 e 2025, e em 2026 ganhou o prêmio nacional da sessão de pôsteres na Jornada Nacional de Iniciação Científica, realizada durante a 78ª Reunião Anual da SBPC. A professora orientadora destacou que o bom desempenho do estudante está ligado à maturidade científica construída durante a graduação e à relevância da pesquisa para a agricultura.
Fonte: Portal Agroneg.




