
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, encaminhou um ofício ao presidente da Corte, Edson Fachin, apontando possíveis crimes de responsabilidade, abuso de autoridade e atos de improbidade administrativa na atuação do ministro André Mendonça. O material foi autuado como PET 16.704. No documento, enviado na sexta-feira (11), Moraes afirma que Mendonça teria, "em tese", usurpado a direção das investigações da Polícia Federal, prejudicado a cadeia de custódia das provas e conduzido de forma irregular tratativas de colaboração premiada. Moraes também acusa Mendonça de ter direcionado investigações contra ele próprio e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por "motivos pessoais e políticos", e de ter indicado previamente medidas cautelares que deveriam ser apresentadas pela PF. Além das acusações, Moraes pediu a Fachin que a PET 16.704 seja julgada junto com a PET 16.662 na sessão extraordinária marcada para o dia 15 de setembro, argumentando que julgar os casos separados pode gerar decisões contraditórias. A crise no STF teve início quando Mendonça pediu à Polícia Federal informações sobre uma suposta rede de influência de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A tensão escalou quando Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino determinou o retorno dos dois aos cargos. Fachin suspendeu as decisões conflitantes e convocou os 11 ministros para a sessão extraordinária. Moraes ainda apontou que o levantamento de sigilo feito por Mendonça foi "seletivo": 15 procedimentos foram liberados, mas 180 documentos permaneceram indisponíveis nos registros eletrônicos do Supremo.
Fonte: Jovem Pan




