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Notícias/POLÍTICA16/07/2026· KF News

Ministro Mauro Vieira rebate tarifas dos EUA e diz que alegações americanas não têm base na realidade

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, usou a tarde desta quinta-feira, 16 de julho de 2026, para responder com dureza às justificativas dos Estados Unidos para impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, resultado de uma investigação americana chamada de Seção 301.

Vieira deixou claro que, na visão do governo brasileiro, a medida tem motivação política — não econômica. Ele lembrou que o Brasil negociou com Washington desde antes do primeiro tarifaço, anunciado em 2 de abril de 2025. Naquele dia, antes mesmo do anúncio, o próprio ministro falou por telefone com o representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer. Na época, o Brasil foi tarifado em 10%, o menor nível aplicado pelos americanos a qualquer país.

A situação piorou em julho de 2025, quando o presidente Trump enviou uma carta ao presidente Lula ameaçando tarifas de 50% caso um processo contra o ex-presidente da República não fosse interrompido. Foi justamente nessa carta que Trump ordenou o início da investigação da Seção 301 contra o Brasil.

Mesmo assim, o governo brasileiro continuou participando do processo. Foram mais de 30 reuniões, incluindo contatos em nível presidencial, e duas defesas escritas entregues ao escritório de comércio dos EUA — uma em agosto e outra em setembro de 2025. Em abril de 2026, uma delegação brasileira de alto nível foi a Washington para uma rodada de consultas.

Vieira também criticou duramente o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, chamando suas declarações nas redes sociais de "inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros". Segundo o ministro, Rubio atacou o chefe de Estado brasileiro de forma "grosseira e arrogante".

O chanceler ainda rebateu dois pontos usados pelos EUA como justificativa para as tarifas: o Pix e o desmatamento. Sobre o Pix, afirmou que se trata de uma infraestrutura pública criada pelo Banco Central, disponível a todas as instituições financeiras que atuam no Brasil, e que falar em concorrência desleal "não é sério". Sobre o desmatamento, classificou as acusações de "absurdas" e destacou que o Brasil reduziu significativamente a devastação na Amazônia e no Cerrado desde 2022.

Fonte: Poder360