
A dieta cetogênica é um dos planos alimentares mais estudados no mundo. Rica em gordura e pobre em carboidrato, ela vem sendo pesquisada como aliada no emagrecimento e em tratamentos de doenças como Alzheimer e câncer. Mas um novo estudo publicado na revista Nature, na quarta-feira (15/7), trouxe resultados surpreendentes e contraditórios.
Os testes foram feitos com camundongos que tinham predisposição genética ao câncer intestinal. Os pesquisadores alimentaram os animais com três dietas diferentes: a cetogênica, uma dieta padrão de controle e uma dieta rica em calorias e gorduras. O que encontraram foi que a dieta cetogênica agiu de formas opostas dependendo do trecho do intestino: acelerou o crescimento tumoral no intestino delgado e, ao mesmo tempo, ajudou a eliminar tumores no cólon.
A descoberta mais importante foi que esse efeito não veio das cetonas — as substâncias naturalmente produzidas pela dieta. Segundo o coautor Fangtao Chi, biólogo molecular do MIT, o que impulsionou os tumores no intestino delgado foi o metabolismo da gordura alimentar pelas células, num processo chamado de oxidação de ácidos graxos. Esse processo ativa proteínas chamadas PPARs, que estimulam as células-tronco intestinais a se dividirem mais rápido.
Os ratos alimentados com a dieta cetogênica desenvolveram tumores no intestino delgado em taxas iguais ou superiores às dos ratos que seguiram uma dieta indutora de obesidade, mesmo permanecendo magros. Omer Yilmaz, líder da pesquisa e biólogo patologista do MIT, explicou que ter mais células-tronco ativas ajuda o intestino a se recuperar de lesões, mas também pode levar à formação de tumores. A próxima etapa da pesquisa é entender por que a dieta cetogênica produz efeitos tão diferentes em partes tão próximas do intestino.
Fonte: Metropoles




