
Minas Gerais tem 28 das 87 barragens de mineração em situação de alerta ou emergência cadastradas no Brasil pela Agência Nacional de Mineração. A Barragem Serra Azul, em Itatiaiuçu, da ArcelorMittal Brasil, é a única do país no Nível de Emergência 3, o mais grave previsto pela legislação. Ela entrou nessa situação em 2019, quando a ANM declarou Nível de Emergência 2, obrigando a empresa a retirar moradores da Zona de Autossalvamento. Em maio de 2025, um acordo foi firmado entre o Ministério Público Federal, o Ministério Público de Minas Gerais, a ArcelorMittal e representantes dos atingidos, prevendo cerca de R$ 436,7 milhões para reparar danos às comunidades de Pinheiros, Vieiras e Lagoa das Flores. Das 28 barragens mineiras em situação de risco, seis estão em nível de alerta e 22 em emergência — 16 no nível 1, cinco no nível 2 e uma no nível 3. A Vale tem 12 estruturas na lista, incluindo Forquilha I, II, III e Sul Superior no Nível 2, e outras em nível 1 e alerta. O estado tem o pior histórico do país no setor: foi onde ocorreram as tragédias de Mariana, em novembro de 2015, com 19 mortos e desastre ambiental no Rio Doce, e de Brumadinho, em janeiro de 2019, com 272 mortos, a maior tragédia trabalhista do Brasil. O Movimento dos Atingidos por Barragens descreve o impacto nas comunidades como "lama invisível": medo constante de rompimento, evacuações, treinamentos, sirenes, desvalorização de imóveis, fim de tradições como o congado e as cavalgadas, além do aumento de casos de depressão e abuso de álcool. A Vale afirmou, em nota, que todas as suas estruturas são monitoradas continuamente e que nenhuma delas está atualmente no Nível 3 de emergência.
Fonte: Metropoles




