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Notícias/POLÍTICA23/08/2026· KF News

Governador de Sinaloa acusado de narcotráfico pelos EUA pede licença de novo após anunciar retorno ao cargo

Rubén Rocha Moya, governador do estado mexicano de Sinaloa, voltou atrás no sábado (22) e pediu licença do cargo ao Congresso do estado, um dia depois de anunciar que ia reassumir o governo. Ele havia se afastado em maio para ser investigado pelo Ministério Público mexicano.

O governador publicou no X um documento solicitando uma "licença temporária em caráter indeterminado". Rocha Moya é procurado por um tribunal americano por supostos vínculos com um cartel do narcotráfico mexicano. Além dele, outros nove políticos mexicanos também são alvo da justiça americana — a primeira vez que Washington mira políticos no exercício de suas funções no México.

A presidente Claudia Sheinbaum disse que ficou sabendo do retorno de Rocha Moya pelo próprio tuíte dele. "Soube por seu tuíte", afirmou a jornalistas neste sábado, usando máscara por causa de uma gripe forte que a obrigou a cancelar a coletiva de sexta-feira. Ela publicou no X uma crítica direta, sem citar nomes: "O poder sem princípios se torna arrogância; o poder sem limites, abuso." Sheinbaum também disse que "nunca nenhum interesse pessoal pode estar acima dos interesses do povo".

O governo federal, os líderes parlamentares e o partido Morena — ao qual pertencem tanto Sheinbaum quanto Rocha Moya — se desvincularam da decisão do governador. Analistas e veículos de imprensa mexicanos apontaram esse afastamento como incomum e levantaram a possibilidade de atritos internos, já que Rocha Moya tem proximidade com o ex-presidente Andrés Manuel López Obrador.

O cientista político José Antonio Crespo avaliou, em entrevista à AFP, que o governador agiu com apoio de López Obrador, colocando Sheinbaum numa posição difícil entre as pressões do antecessor e as cobranças de Donald Trump. Trump reclama com frequência que o México é governado por políticos ligados ao tráfico de drogas e já ofereceu apoio militar, mas Sheinbaum rejeita qualquer intervenção estrangeira.

Fonte: Jovem Pan