
Treinar descalço é um hábito que tem ganhado cada vez mais adeptos nas academias e espaços de exercício. Os principais motivos apontados por quem pratica são a sensação de maior controle do movimento e mais estabilidade. Mas será que isso é seguro pra todo mundo? O ortopedista e traumatologista Alexandre Alberi, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte, respondeu a essa pergunta com cuidado.
Segundo ele, atividades voltadas ao equilíbrio, à propriocepção e exercícios funcionais específicos para pés e tornozelos podem ser realizados com os pés diretamente no chão, sem problema. Já exercícios de impacto, como corrida, exigem tênis adequado. Treinar correndo sem calçado pode causar tendinopatias no tendão de Aquiles, fraturas por estresse, edema ósseo, lesões nos ossos sesamoides e sobrecargas nas articulações.
Na musculação, o médico recomenda tênis de plataforma rígida e estável, evitando calçados com muito amortecimento, pois o tênis funciona como proteção contra acidentes durante os exercícios.
O especialista também chama atenção para grupos de risco: pessoas com diabetes, lesões arteriais e neuropatias periféricas podem ter a sensibilidade dos pés reduzida e não perceber ferimentos. Quem tem deformidades nos pés, histórico de fraturas por estresse, osteoporose ou cirurgias anteriores precisa passar por avaliação rigorosa com um especialista antes de adotar a prática.
Alberi reforça que não existe uma grande vantagem biomecânica geral que justifique treinar descalço e que o hábito não deve ser adotado de forma indiscriminada.
Fonte: Metropoles




