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Notícias/NEWS10/09/2026· KF News

Marrocos nega envolvimento na entrada de 70 mil migrantes em Ceuta e recusa ser bode expiatório

O Marrocos se pronunciou oficialmente nesta quinta-feira (10) para negar qualquer participação na entrada em massa de migrantes no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África. A crise aconteceu nos dias 30 e 31 de julho, quando cerca de 70 mil pessoas atravessaram a fronteira vinda do Marrocos — a pé e a nado — provocando uma situação de emergência para o governo do socialista Pedro Sánchez.

O Ministério das Relações Exteriores marroquino divulgou um comunicado pela agência oficial MAP afirmando que "nenhum dado, fato ou relatório estabelece qualquer envolvimento das autoridades marroquinas". O país também deixou claro que não vai aceitar ser usado como "instrumento eleitoral" nem como "bode expiatório em acertos de contas políticos" na Espanha.

O saldo da travessia foi grave: dezenas de mortos e desaparecidos. A maioria dos migrantes deixou Ceuta nos dias seguintes, mas milhares ainda permanecem no território, muitos dormindo nas ruas e nas praias. A situação gerou tensão com os 80 mil habitantes do enclave, que tem apenas 18,5 km² e abriga uma das duas únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África.

A reação do Marrocos veio uma semana após a divulgação de um relatório da polícia espanhola que apontou "permissividade" dos policiais marroquinos e um contingente "significativamente menor do que o habitual" no período da crise. Além disso, um documento da inteligência militar espanhola, com sigilo suspenso na quarta-feira (9), afirmou que as autoridades marroquinas agiram "de forma negligente e passiva".

Sánchez declarou em várias ocasiões que não há "evidências sólidas" de que o Marrocos tenha incentivado a entrada em massa, mas enfrenta pressão da direita e da extrema direita pela gestão da crise. O Marrocos, por sua vez, questionou por que os migrantes não foram devolvidos e por que menores desacompanhados não foram entregues às famílias, conforme pedido pelo país. As autoridades marroquinas classificaram a crise como "lamentável" e pediram uma investigação a fundo.

Fonte: Jovem Pan