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Notícias/NEWS12/09/2026· KF News

Tratamento de esclerose múltipla no SUS cresce 26% em 4 anos e ainda enfrenta desigualdades regionais

Foto: Ilustração gerada por IA

O número de pacientes com esclerose múltipla em tratamento pelo SUS cresceu 25,9% entre 2019 e 2023. É o que revela um estudo liderado por médicos do Hospital Israelita Albert Einstein e pesquisadores do CEPPS, o Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde. A pesquisa analisou dados de 27 mil pacientes atendidos pelo SUS nesse período e foi publicada em junho de 2026 na revista científica Multiple Sclerosis and Related Disorders.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune crônica que afeta o sistema nervoso central. O sistema imunológico passa a atacar a bainha de mielina, estrutura que protege os neurônios, causando inflamações e lesões no cérebro e na medula espinhal. Os sintomas variam desde alterações na visão e fraqueza muscular até dificuldade para caminhar e fadiga.

O estudo identificou avanços no acesso a medicamentos de alta eficácia em todas as regiões do Brasil, mas de forma desigual. Até 2021, o protocolo clínico do SUS não permitia o uso desses medicamentos no início do tratamento — os pacientes precisavam começar com remédios de menor eficácia. Com a atualização do protocolo naquele ano, passou a ser possível indicar os medicamentos mais potentes mais cedo, o que, segundo os pesquisadores, pode contribuir para preservar a qualidade de vida dos pacientes.

As razões para a desigualdade regional na prescrição ainda não têm explicação definitiva. Entre os possíveis fatores estão a dificuldade de acesso a exames mais detalhados, a falta de centros para infusão de medicamentos, problemas na distribuição dos remédios e o nível de treinamento dos profissionais de saúde.

O diagnóstico precoce continua sendo um desafio. Sintomas como perda de força nos membros, alterações no equilíbrio e na visão e dificuldade no controle do esfíncter podem ser confundidos com ansiedade ou problemas ortopédicos na atenção básica, atrasando o encaminhamento ao neurologista. Especialistas defendem mais acesso à ressonância magnética e à análise do líquor para confirmar o diagnóstico com mais agilidade.

Fonte: Poder360