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Notícias/SAÚDE11/09/2026· KF News

Irritação e esquecimento podem ser sinais de sofrimento emocional, alertam especialistas

Setembro concentra campanhas de conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio. Nesse contexto, especialistas explicam quando as emoções deixam de ser pontuais e passam a indicar sofrimento que merece atenção. Tristeza, ansiedade, medo e estresse fazem parte da vida e, sozinhos, não indicam um transtorno. O que muda é quando essas emoções se tornam muito intensas, se repetem com frequência e começam a afetar o sono, o apetite, a concentração e os relacionamentos.

A psicóloga Marcelle Passarinho Maia, coordenadora de psicologia do Hospital Santa Lúcia, explica que o alerta aparece quando há uma mudança no padrão habitual da pessoa. Ela aponta que sinais como irritabilidade acima do normal, impaciência, isolamento, dificuldade de concentração, esquecimentos, queda de produtividade, cansaço frequente e perda de interesse por atividades são os mais comuns e podem passar despercebidos. Marcelle ressalta ainda que manter a rotina não significa estar bem: "Algumas pessoas continuam funcionando, mas com um esforço emocional muito grande."

O psiquiatra Matheus Cheibub, do Hospital Sírio-Libanês, aponta que muita gente demora a perceber o problema por mecanismos de defesa, como minimizar o que sente ou encarar o sofrimento como fraqueza. O estigma em torno dos transtornos mentais também contribui para o atraso na busca por ajuda.

Segundo Cheibub, não existe um critério baseado apenas no tempo. A avaliação considera a intensidade dos sintomas, a frequência e o impacto na vida da pessoa. Quando há prejuízo no funcionamento social, profissional ou familiar, ele orienta buscar avaliação. Entre os sinais que indicam necessidade de apoio estão sintomas persistentes, aumento da intensidade, dificuldade nos relacionamentos, queda no autocuidado e uso de álcool ou outras substâncias para lidar com as emoções. A orientação dos especialistas é não esperar o quadro se agravar, já que a identificação precoce permite agir antes que o sofrimento aumente.

Fonte: Metropoles - Saúde