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Notícias/SAÚDE10/09/2026· KF News

Gordura abdominal influencia mais a testosterona do que a idade, aponta estudo com quase 5 mil homens

Um novo estudo publicado no Journal of the Endocrine Society em julho trouxe uma descoberta importante sobre a saúde masculina: a gordura acumulada no abdômen pode ter mais influência na queda da testosterona do que o envelhecimento em si. A análise avaliou dados de quase 5 mil homens nos Estados Unidos, com idades entre 20 e 59 anos.

O estudo focou na chamada gordura visceral, que fica localizada nas camadas profundas do abdômen, ao redor de órgãos como fígado, estômago e intestinos. Esse tecido possui muitos receptores de testosterona, o que o torna especialmente sensível às variações do hormônio. Os resultados mostraram que homens com maior quantidade desse tipo de gordura apresentaram níveis mais baixos de testosterona. Quando a distribuição de gordura no corpo foi levada em conta, a relação entre idade e queda do hormônio diminuiu de forma considerável.

Os autores do estudo também destacaram uma limitação importante: medidas tradicionais como o índice de massa corporal, o IMC, e a circunferência da cintura nem sempre revelam com precisão o quanto de gordura visceral uma pessoa tem. Isso explica por que homens mais jovens podem ter testosterona baixa mesmo com peso considerado normal, enquanto homens mais velhos com menos gordura visceral conseguem manter o hormônio em níveis mais estáveis.

Um estudo anterior citado na análise, feito com mais de 1,6 mil homens, já havia mostrado que o aumento de alguns pontos no IMC foi associado a uma queda de testosterona parecida com a que ocorre ao longo de cerca de dez anos de envelhecimento.

Os mecanismos ainda estão sendo investigados. Entre as hipóteses estão a resistência à insulina e processos inflamatórios provocados pela gordura visceral, que podem interferir na produção hormonal. Para os pesquisadores, estratégias voltadas à redução da gordura abdominal podem ter efeito direto nos níveis de testosterona, antes mesmo de recorrer a terapias hormonais.

Fonte: Metropoles - Saúde