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Notícias/NEWS30/08/2026· KF News

Famílias de presos gastam mais de R$ 4 bilhões por ano em visitas a penitenciárias no Brasil

Uma pesquisa da Pastoral Carcerária Nacional, entidade vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ouviu 2.706 pessoas em todas as regiões do país entre dezembro de 2025 e abril de 2026. O estudo, feito em parceria com a Assessoria Popular Maria Felipa, revelou que famílias de presos chegam a gastar mais de R$ 1.000 por mês só para visitar seus parentes nas penitenciárias.

Os custos incluem transporte, alimentação, hospedagem, envio de mantimentos e compra de itens de higiene. O custo médio de uma visita semanal é de R$ 189,89. Somando o chamado "kit médio" para o preso — com itens de higiene, alimentos não perecíveis e roupas —, avaliado em R$ 293,52, o gasto mensal de quem visita toda semana chega a R$ 1.053,09. Para quem visita quinzenalmente, o valor é de R$ 624,80, e para uma visita mensal, R$ 464,45. Comparando com o salário mínimo de 2025, as visitas semanais consomem cerca de 69,4% do salário.

No total, somando os custos médios com o número estimado de visitantes, a pesquisa aponta um gasto anual superior a R$ 4,3 bilhões. A Pastoral Carcerária chama isso de "economia invisível do cárcere". Segundo o estudo, 94% de quem banca essas visitas são mulheres, 65,5% são pessoas pretas ou pardas e 32,6% têm entre 25 e 34 anos. Cerca de 58,9% relataram sofrer violência ou constrangimento durante as visitas, mais de 60% disseram passar por humilhação e desrespeito verbal, 32,5% foram submetidos a revista íntima e 39% a revista vexatória — práticas proibidas pelo STF em 2025.

A pesquisa também discute o auxílio-reclusão: apenas 2,47% dos familiares recebem o benefício. A coordenadora nacional da Pastoral Carcerária, Irmã Petra Silvia Pfaller, alertou em audiência pública no STF, realizada entre os dias 24 e 25 de agosto, que extinguir o auxílio pode "criminalizar a família, permitindo que mulheres, idosos e crianças sem relação com o delito permaneçam sem qualquer fonte de renda".

Fonte: Poder360