
Moradores de Porto Marinho, distrito rural de Cantagalo, no noroeste do Rio de Janeiro, afirmam há décadas que o Arroz Anã produzido na região tem aroma, sabor e textura diferentes de qualquer outro arroz. Agora, pesquisas lideradas pela Embrapa Agroindústria de Alimentos comprovaram cientificamente essas características únicas e serviram de base para um pedido formal de reconhecimento do produto.
Em 8 de agosto, a Apomar, Associação de Produtores Rurais, Pescadores, Artesãos, Moradores e Amigos de Porto Marinho e Entorno, depositou no INPI um pedido de Indicação Geográfica por Denominação de Origem para o Arroz Anã de Porto Marinho. Para conseguir esse tipo de selo, é preciso provar com evidências científicas que as características do produto estão ligadas diretamente ao lugar onde ele é produzido.
Os testes realizados na Embrapa mostraram que o arroz tem perfil de viscosidade parecido com o arroz da culinária japonesa, mais grudento depois de cozido, e que o aroma se intensifica no aquecimento igual ao arroz jasmim. Além disso, os grãos têm baixo teor de amilose e temperatura de gelatinização intermediária, o que deixa o arroz mais macio e levemente pegajoso, bem diferente dos arrozes longos finos comuns vendidos no Brasil.
A caracterização morfoagronômica foi feita na safra 2020/21, na Estação Experimental Fazenda Palmital, em Goianira, no Goiás, pela equipe da Embrapa Arroz e Feijão. O pesquisador José Manoel Colombari Filho destacou que o Arroz Anã surpreendeu: mesmo sendo uma planta alta, com média de 123,2 cm, ela tem boa tolerância ao acamamento, o que bate com o relato dos agricultores locais sobre a resistência da variedade aos ventos fortes às margens do rio Paraíba do Sul.
Análises metabolômicas de alta resolução, feitas por cromatografia líquida e espectrometria de massas, ajudaram a construir uma espécie de assinatura química do produto, segundo a professora Mariana Simões Larraz Ferreira, da Unirio. O material foi também registrado no Banco Ativo de Germoplasma da Embrapa. O projeto contou com apoio da Faperj e reuniu equipes da Embrapa e da Unirio.
Fonte: Poder360




