
O fenômeno El Niño deste ano se desenha como o mais intenso já registrado, com potencial para transformar 2027 no ano mais quente da história do planeta. A agência americana NOAA estima 69% de probabilidade de que esse episódio seja o mais forte desde o início dos registros, em 1950. Já a agência britânica de meteorologia, o Met Office, alertou que o fenômeno provavelmente será "o mais intenso em mais de um século".
As temperaturas na região de referência no Pacífico, chamada Niño 3.4, já estão 2,6°C acima da média dos últimos 30 anos, segundo dados do painel Climate Brink. As previsões indicam que esse valor pode chegar a 3,9°C em novembro, bem acima dos 3°C registrados em 2015, o ano recorde até então.
Os climatologistas Zeke Hausfather e Andrew Dessler calculam que o El Niño vai provocar um aumento médio de 0,3°C nas temperaturas globais em 2027. O pesquisador Mike McPhaden, do Laboratório Ambiental Marinho do Pacífico da NOAA, afirmou à AFP que "não é inconcebível que 2027 possa ficar 1,7°C acima dos níveis pré-industriais".
Adam Scaife, do Met Office, destacou que as consequências serão "especialmente fortes ao redor dos trópicos", com secas drásticas na América do Sul e no oeste do Pacífico. Os cientistas apontam ainda que as mudanças climáticas amplificam os efeitos do El Niño, e dados de registros paleoclimáticos, medições do século XIX e simulações climáticas indicam que a intensidade dos episódios do fenômeno aumentou aproximadamente 10% ao longo do último século.
Fonte: Jovem Pan




