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Notícias/NEWS21/08/2026· KF News

Cientistas apostam em fungos subterrâneos para recuperar terras degradadas e combater crise climática

Durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação, a COP17, realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, as pesquisadoras Toby Kiers e Burenjargal Otgonsuren apresentaram estudos que apontam os fungos subterrâneos como aliados poderosos na recuperação de solos degradados e no combate à crise climática. Os chamados fungos micorrízicos formam extensas redes no solo e vivem em simbiose com as raízes das plantas: enquanto recebem carbono produzido pelas plantas durante a fotossíntese, ajudam a trazer água e nutrientes como fósforo e nitrogênio. Além disso, essas redes ajudam a segurar as partículas do solo, reduzir a erosão e tornar as plantas mais resistentes à seca.

A estratégia testada na Mongólia é simples: pequenas áreas de pastagem são cercadas para impedir temporariamente a entrada de animais e a ação humana. Esses espaços funcionam como refúgios de biodiversidade subterrânea e podem, no futuro, servir de fonte de fungos locais para restaurar outras áreas. Toby Kiers, diretora-executiva da SPUN, comparou a ideia a um banco de sementes: "São como um sistema circulatório que conecta a vida acima e abaixo do solo."

A pesquisadora Burenjargal Otgonsuren instalou seis áreas cercadas em regiões de estepe e deserto. Os primeiros resultados, obtidos em 2025, são animadores: as plantas dentro das áreas protegidas já apresentavam maior altura do que as de fora. Ela pretende acompanhar os experimentos por pelo menos três anos. Pesquisas indicam que até 91% das pastagens degradadas da Mongólia poderiam ser recuperadas em algum grau — mas, segundo a especialista, recuperar a vegetação não basta: é preciso ter um solo saudável, com biodiversidade preservada. E uma descoberta surpreendente: cerca de 90% dos fungos encontrados nas amostras coletadas pertencem a espécies ainda desconhecidas pela ciência.

Fonte: Agencia Brasil