
O mercado brasileiro de milho encerra a semana sem mudanças significativas no ritmo das negociações. A colheita da segunda safra, a safrinha, avança em estados importantes como Paraná, Goiás e Mato Grosso, mas a comercialização segue lenta. Produtores e compradores estão na espera de mais oferta física e de definições no cenário internacional.
O principal fator que segura os preços aqui dentro é o câmbio. Com o dólar negociado próximo de R$ 5,12, o milho brasileiro fica mais barato pra quem compra lá fora, favorecendo as exportações. Segundo análise da TF Agroeconômica, essa valorização do dólar estimulou operadores a ampliar posições na B3. Os prêmios de exportação para embarques entre outubro e novembro seguem em alta, refletindo maior demanda pelo cereal brasileiro.
Nos portos, a saca está entre R$ 66,50 e R$ 69,00 em Santos e entre R$ 65,50 e R$ 68,00 em Paranaguá. Nas regiões produtoras, os preços variam bastante: Cascavel (PR) entre R$ 56 e R$ 58, Mogiana (SP) entre R$ 59 e R$ 60, Uberlândia (MG) entre R$ 56 e R$ 60, Rio Verde (GO) entre R$ 54 e R$ 55 e Rondonópolis (MT) entre R$ 53 e R$ 55 por saca.
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros tentam recuperação após perdas recentes. O contrato de setembro de 2026 estava em US$ 4,42 por bushel, enquanto maio de 2027 chegava a US$ 4,89. O analista Ben Potter, do Farm Futures, explica que o mercado está dividido entre a forte demanda e a expectativa de uma safra americana próxima de 16 bilhões de bushels. O clima continua sendo o principal risco: calor intenso e tempo seco no período crítico das lavouras americanas podem reduzir parte desse potencial.
No Paraná, a colheita já alcança cerca de 16% da área, mas o excesso de umidade, os altos custos de secagem e perdas de qualidade ainda limitam o ritmo. Em Mato Grosso do Sul, a Conab manteve a estimativa de produção da safrinha em 12,47 milhões de toneladas, volume 5,4% menor que o ciclo anterior, mesmo com a área cultivada crescendo cerca de 2,7%. Em Santa Catarina, a diferença entre o preço pedido pelos vendedores e as ofertas dos compradores mantém o mercado praticamente parado.
Fonte: Portal Agroneg.




