
O Governo Central encerrou o primeiro semestre de 2026 com um deficit primário de R$ 92,2 bilhões, resultado bem pior do que os R$ 11,3 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 30 de julho de 2026, pela Secretaria do Tesouro Nacional.
Só no mês de junho, o rombo foi de R$ 48,2 bilhões, ante R$ 44,2 bilhões em junho do ano passado. A piora nas contas foi causada principalmente pelo crescimento dos gastos em ritmo muito superior ao das receitas: as despesas totais subiram 12,3% acima da inflação, enquanto as receitas líquidas cresceram 5,6%.
Em junho, as despesas totais somaram R$ 243,4 bilhões. Os principais fatores de pressão foram os créditos extraordinários para amenizar os impactos dos conflitos no Oriente Médio, com destaque para a subvenção ao óleo diesel rodoviário de R$ 2,1 bilhões; o aumento de R$ 5,1 bilhões nas despesas com saúde; a alta de 1,9% nos benefícios previdenciários, puxada pela valorização do salário-mínimo; e o reajuste do funcionalismo federal, 3,9% acima da inflação. No acumulado do semestre, os pagamentos de sentenças judiciais e precatórios também pesaram, com concentração em março, quando chegaram a R$ 37,2 bilhões.
Do lado das receitas, houve alta real de 10,3% em junho, totalizando R$ 195,2 bilhões. Os destaques foram a exploração de petróleo, que saltou 77,9%, e os avanços no IPI (+47,4%) e no Imposto de Importação (+24,2%). Porém, os dividendos de estatais despencaram 58% no semestre, com BNDES (-R$ 6,7 bilhões), Caixa (-R$ 2,3 bilhões) e Petrobras (-R$ 2,2 bilhões) entre as maiores quedas. O rombo total de R$ 92,2 bilhões é resultado do deficit de R$ 236,2 bilhões da Previdência Social, parcialmente compensado pelo superavit de R$ 144,3 bilhões do Tesouro Nacional.
Fonte: Poder360




