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Notícias/AGRONEGÓCIO14/09/2026· KF News

Crédito rural cai 25,8% e ameaça produção, exportações e preço dos alimentos na safra 2026/27

Foto: FRANK MERIÑO/Pexels

A área financiada pelo crédito rural no Brasil caiu 25,8% em 12 meses, passando de 34,2 milhões de hectares em julho de 2025 para 25,4 milhões em julho de 2026. Os dados constam em nota técnica da Farsul, a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, com base em informações do Banco Central. Apesar da queda forte, os efeitos ainda não aparecem no PIB da agropecuária, na balança comercial nem na inflação dos alimentos, porque as lavouras atuais foram, em grande parte, plantadas e financiadas antes do agravamento da crise no crédito. A Farsul alerta que os impactos podem se mostrar de forma mais intensa na safra 2026/27, cujo plantio se concentra entre setembro e novembro.

No Rio Grande do Sul, a situação é ainda mais grave. A área financiada recuou 29,3%, o volume de recursos liberados caiu 18,3%, totalizando R$ 23,1 bilhões, e o número de contratos diminuiu 16,4%, para 189.655 operações. No trigo, a retração chegou a 52%, e na soja, principal cultura do Estado, a 35,2%. As operações problemáticas — atrasos, inadimplência e renegociações — saltaram de 28,6% para 41,3% da carteira gaúcha. A Farsul aponta as enchentes de abril e maio de 2024 como fator central do agravamento no Estado.

A taxa Selic a 14% ao ano encarece os financiamentos, que chegam perto de 14% — em ciclos anteriores variavam entre 7% e 11,5%. Uma nova norma bancária, a Resolução nº 4.966 do CMN, em vigor desde janeiro de 2025, também aumentou a cautela dos bancos na concessão de crédito. Instrumentos privados como CPR, CRA e Fiagro crescem, mas a Farsul avalia que não substituem o crédito bancário tradicional, especialmente para pequenos produtores. Caso a retração continue, a safra 2026/27 poderá registrar menor produção, redução das exportações, pressão sobre o dólar e alta nos preços dos alimentos.

Fonte: Portal Agroneg.